Um encontro inesperado durante uma agenda em Dourados transformou-se em uma história que reúne dois dos principais temas defendidos pelo candidato a deputado federal Carlos Bernardo: formação médica de qualidade e ampliação da estrutura de saúde em Mato Grosso do Sul.
Ao saber que Carlos estava na cidade, Anna Victoria, uma das ex-alunas de Medicina da Universidade Interamericana, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, entrou em contato e o convidou para conhecer seu consultório.
Médica, Anna Victória concluiu a graduação no Paraguai e foi aprovada nas duas etapas do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras, o Revalida. Agora, com o CRM, ela já atende pacientes no Brasil.
“Eu conheci a Anna Victoria ainda como estudante, acompanhei parte das dificuldades e da luta dela durante a formação e hoje encontro uma médica trabalhando. O mérito dessa conquista é dela. Foi ela quem estudou, se preparou, enfrentou o Revalida, passou pelas duas etapas e conquistou o CRM. Mas uma história como essa também mostra o quanto é importante oferecer estrutura, prática e acompanhamento durante a formação”, afirmou Carlos Bernardo.

O caminho percorrido por Anna passa por uma das principais avaliações enfrentadas por brasileiros e estrangeiros que concluíram Medicina fora do país e pretendem exercer a profissão no Brasil. Aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Revalida avalia conhecimentos, habilidades e competências considerados necessários para o exercício da Medicina no país. O processo envolve uma primeira etapa teórica e uma segunda etapa voltada às habilidades clínicas.
Os números dimensionam o desafio. Somente em 2025, as duas edições do Revalida reuniram 38.688 inscrições na primeira etapa. Na edição 2025/1, 17.121 candidatos participaram da etapa inicial e 4.503 foram aprovados. Já na avaliação prática, 7.363 candidatos participaram e 4.365 conseguiram aprovação.
“Não é um processo simples. Existe a formação, depois existe toda a preparação para o Revalida e, posteriormente, a documentação para conseguir exercer a profissão. Eu tive muito apoio durante esse caminho. Desde a época da faculdade, nos momentos em que precisei, encontrei pessoas dispostas a ajudar. E até no processo da documentação para o CRM, quando precisei da universidade, o retorno foi muito rápido”, recordou Anna.
Segundo ela, a experiência acadêmica também foi marcada pela proximidade com professores e pela formação prática. “Tenho um carinho enorme pelos professores e por tudo o que vivi durante a faculdade. Até hoje converso com alguns deles. Foi uma trajetória com dificuldades, como qualquer formação exige, mas também com muito aprendizado e apoio. Hoje poder estar aqui, com meu CRM e trabalhando como médica, é a realização de todo aquele esforço”, afirmou.
Mais de 3 mil médicos revalidados
A trajetória de Anna não é isolada dentro da Universidad Interamericana. Dados divulgados atualmente pela própria universidade apontam mais de 3 mil médicos formados pela instituição (antes UCP) que passaram pelo processo de revalidação e estão exercendo a profissão no Brasil.
Nas edições recentes do Revalida, a universidade também informou ter ultrapassado a marca de 300 aprovados, resultado que Carlos relaciona ao investimento realizado na formação prática dos estudantes.
“Revalida não se vence com discurso. O aluno precisa chegar preparado para demonstrar conhecimento e capacidade clínica. Por isso sempre defendemos que Medicina exige muito mais do que sala de aula. Precisa de professor, laboratório, equipamento, clínica, paciente, acompanhamento e responsabilidade”, disse.
Na Universidade Interamericana, a formação dos estudantes é integrada ao atendimento prestado à população da região de fronteira. A instituição mantém uma rede de clínicas universitárias nas quais os acadêmicos desenvolvem atividades práticas acompanhados por professores e profissionais. A estrutura permite que o estudante tenha contato com situações reais da profissão ao mesmo tempo em que oferece atendimento à comunidade.
É nesse contexto que está inserido o projeto do Hospital Binacional de Fronteira, pensado para fortalecer a cooperação entre Brasil e Paraguai e ampliar a capacidade de atendimento em uma região onde a circulação entre os dois países já faz parte do cotidiano.
Carlos argumenta que saúde, educação e desenvolvimento da fronteira precisam ser tratados de maneira integrada. “A fronteira já é binacional na vida real. Temos brasileiros estudando no Paraguai, paraguaios e brasileiros trabalhando dos dois lados, famílias que vivem essa integração diariamente. Na saúde também existe essa realidade. O que precisamos fazer é transformar essa integração que já acontece em planejamento, estrutura e políticas públicas”, afirmou.
A proposta é buscar mecanismos de cooperação e recursos para fortalecer uma rede regional de saúde capaz de atender municípios brasileiros e dialogar com a estrutura existente no Paraguai.
Fonte: Mayara de Sá Chaves