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Sem federal há 32 anos, Ponta Porã vê chance de recuperar representatividade e transformar saúde da fronteira
A cidade de Ponta Porã não elege um deputado federal desde 1994, o último foi Oscar Goldoni. Já a Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul está sem um representante desde 2014, o último foi Flávio Kayatt. Agora, com o advento da criação do Hospital Binacional de Fronteira, Ponta Porã pode ter dois nomes fortes nas casas legislativas. Hélio Peluffo (11234) para estadual e Carlos Bernardo (4455) para federal surgem com chances reais de eleição, apontam pesquisas.
Por Giovani Cezar
Publicado em 14/09/2026 18:30
Politica

Ponta Porã (MS) – Ponta Porã não elege um deputado federal há 32 anos. O último deputado federal ligado politicamente a cidade foi Oscar Goldoni, eleito em 1994 e empossado para o mandato de 1995 a 1999. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a última vitória de um representante ocorreu em 2014, quando Flávio Kayatt conquistou uma vaga. 

Nesta eleição, a fronteira volta a ter a oportunidade de recuperar espaço nos dois Legislativos e transformar representatividade política em força para enfrentar um dos problemas que mais afetam a população da região: a saúde. Carlos Bernardo é candidato a deputado federal pelo União Brasil, número 4455 e Helio Peluffo, é candidato a deputado estadual pelo PP, número 11.234.

Para o ex-prefeito de Ponta Porã e candidato estadual Hélio Peluffo, o longo período sem representação política própria enfraquece a capacidade da fronteira de disputar políticas públicas, investimentos e recursos para nossa cidade. 

“Dourados elege os seus, cuida dos seus e protege a cidade. Eu entendo que a fronteira também precisa lutar pelos seus. É preciso reequilibrar as forças políticas no estado. A Capital elege a maioria dos representantes, Dourados elege outra parte, e eu acho que o Conesul precisa estar representado tanto na Assembleia quanto na Câmara Federal”, afirma Hélio.

Segundo Peluffo, ter parlamentares ligados diretamente à região permite colocar as necessidades locais no centro das discussões do Estado e também do país.

“Quando você tem representatividade tanto na Assembleia quanto na Câmara Federal, consegue discutir políticas públicas da região, políticas que interessam à comunidade, que interessam à população e que melhoram a qualidade de vida das pessoas. Ponta Porã, Antônio João, Laguna Carapã, Bela Vista, Aral Moreira, Sanga Puita e toda essa região precisam ter representatividade”, defende.

Saúde expõe necessidade de representação

É na saúde que essa necessidade ganha contornos ainda mais urgentes. Ponta Porã funciona como referência para municípios do entorno e convive com uma característica que nenhuma outra grande região de Mato Grosso do Sul enfrenta na mesma dimensão: a pressão de uma população que vive e circula diariamente entre dois países, aí vem a necessidade deste projeto grandioso que o Hospital Binacional de Fronteira.

Carlos Bernardo explica que a estrutura atual já enfrenta dificuldade para acompanhar o crescimento das demandas, em especial, na área da saúde.

“Nós somos sede de microrregião, atendemos mais de sete cidades e, indiretamente, catorze. Nosso hospital hoje não suporta mais aumento. A população cresce rapidamente e ainda temos a realidade dos brasileiros que vivem no Paraguai e também procuram atendimento. Qualquer investimento, qualquer conquista na área da saúde, será muito bem-vindo”, afirma.

Nesse cenário, uma das principais propostas defendida pelos candidatos a deputado federal e estadual é a implantação do Hospital Binacional de Fronteira, que vai atender uma demanda de mais de milhões de pessoas, somando os dois países (de Corumbá a Mundo Novo). O projeto é voltado ao atendimento de alta complexidade e à integração da saúde na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero: dois povos atuando juntos na área da saúde. 

A proposta vem sendo articulada por Carlos Bernardo desde 2022 e já foi apresentada a lideranças políticas dos dois países, como o presidente Lula e o presidente Santi Peña. “O Hospital Binacional mostra exatamente o que significa ter representatividade. Não queremos que uma família da fronteira continue precisando percorrer centenas de quilômetros quando necessita de um atendimento de alta complexidade. Precisamos trazer a estrutura para perto do paciente. Para isso, é necessário unir Governo Federal, Governo do Estado, municípios e construir uma cooperação efetiva entre Brasil e Paraguai. Um deputado federal da fronteira pode estar em Brasília todos os dias defendendo recursos, articulando os ministérios e trabalhando para transformar esse projeto em realidade.”

O Hospital Binacional defendido por Bernardo prevê uma estrutura de alta complexidade para a região, com incorporação de tecnologia e possibilidade de reduzir a dependência de pacientes que atualmente precisam buscar centros maiores para determinados procedimentos.

Peluffo ainda acrescentou que além da saúde, a segurança também precisa ser discutida. “Para aumentar a estrutura, efetivo, investimento, você precisa ter voz. E quem está na Assembleia naturalmente luta pela região que representa. Por isso é tão importante que a nossa região também tenha essa voz”, diz.

Para o ex-prefeito, a eleição de 2026 coloca diante de Ponta Porã uma oportunidade que vai além das diferenças partidárias. Já que depois de mais de três décadas sem eleger um deputado federal ligado diretamente a Ponta Porã e de 12 anos sem conquistar uma cadeira própria na Assembleia Legislativa, a representatividade volta, portanto, a ocupar espaço central na fronteira.

Fonte: Mayara de Sá Chaves

 

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