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A memória de Carol e o sonho de uma fronteira com mais estrutura para salvar vidas
Estudante de Medicina Maria Caroline Azevedo Freitas morreu aos 29 anos após um acidente em Ponta Porã. Homenageada com seu nome em uma clínica-escola, sua história traz uma dimensão humana ao debate sobre a ampliação da assistência de saúde na região, onde Carlos Bernardo propõe a implantação de um Hospital Binacional.
Por Giovani Cezar
Publicado em 22/09/2026 21:31
Saúde

Ponta Porã (MS) – Quando os balões brancos subiram ao céu durante o 13º Arraiá da Universidade Interamericana, não era apenas uma homenagem. Entre colegas, professores e amigos, havia a lembrança de uma jovem de 29 anos que havia escolhido a Medicina porque queria cuidar de pessoas, mas que não teve tempo de concluir esse caminho.

Maria Caroline Azevedo Freitas, a Carol, morreu no dia 23 de junho de 2026, após sofrer um grave acidente de trânsito em Ponta Porã. Estudante de Medicina da Universidade Interamericana e moradora de Dourados, ela era descrita por pessoas próximas como uma jovem dedicada aos estudos, gentil e profundamente humana. Sua morte provocou forte comoção entre familiares e na comunidade acadêmica.

 

Pouco tempo depois, o CEO da Universidade Interamericana e candidato a deputado federal Carlos Bernardo anunciou que uma das clínicas-escola da universidade passaria a levar o nome de Maria Caroline Azevedo Freitas.

A escolha do espaço para a homenagem carrega um significado especial. É justamente em uma clínica-escola que estudantes dão os primeiros passos no atendimento aos pacientes e começam a transformar conhecimento em acolhimento — o caminho profissional que Carol havia escolhido para si.

“A Carol convivia de perto com a gente, cuidava do meu filho mais novo, então essa perda se tornou a mais difícil para todos nós. Dar o nome dela a uma de nossas clínicas-escola é uma forma de manter viva sua memória e reconhecer tudo o que ela representou para nós”, afirmou.

A história de Carol é particular, e não é possível afirmar que uma estrutura hospitalar diferente teria alterado o desfecho do acidente. Mas sua morte ajuda a humanizar uma discussão que faz parte da rotina da região de fronteira: como ampliar a capacidade de atendimento médico próximo de onde as pessoas vivem, especialmente nos casos de maior complexidade.

Um hospital pensado para a fronteira

É nesse cenário que aparece uma das principais propostas apresentadas pelo candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil): a implantação do Hospital Binacional de Fronteira, em Ponta Porã.

A proposta é de uma unidade construída no lado brasileiro, mas estruturada a partir de cooperação entre Brasil e Paraguai, para ampliar o atendimento hospitalar na faixa de fronteira. O projeto divulgado pela candidatura prevê serviços de maior complexidade e uma gestão pactuada entre os dois países. Bernardo informa que já existe projeto e uma área destinada à implantação, na saída de Ponta Porã em direção a Dourados.

Segundo o candidato, a intenção é criar uma estrutura capaz de reduzir a necessidade de pacientes da região viajarem para centros como Dourados, Campo Grande e Três Lagoas em busca de determinados procedimentos. Ele também defende que o modelo reúna recursos e participação institucional do Brasil e do Paraguai, além da busca de apoio da Itaipu Binacional para a implantação. 

Um nome para não ser esquecido

Enquanto a construção de um hospital binacional ainda depende de articulação política, recursos e acordos entre Brasil e Paraguai, a memória de Carol já ganhou um endereço. Seu nome permanecerá em uma clínica onde outros estudantes continuarão o caminho que ela começou: estudar Medicina, atender pessoas e aprender a cuidar.

Hoje as sete clínicas escolas da Universidad Interamericana atendem mais de 40 mil pessoas anualmente, com serviços totalmente gratuitos a brasileiros e paraguaios, além de consultas e exames, os pacientes também têm acesso a medicamentos sem custo algum.

Fonte: Mayara de Sá Chaves

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