Ponta Porã (MS) – Quando os balões brancos subiram ao céu durante o 13º Arraiá da Universidade Interamericana, não era apenas uma homenagem. Entre colegas, professores e amigos, havia a lembrança de uma jovem de 29 anos que havia escolhido a Medicina porque queria cuidar de pessoas, mas que não teve tempo de concluir esse caminho.
Maria Caroline Azevedo Freitas, a Carol, morreu no dia 23 de junho de 2026, após sofrer um grave acidente de trânsito em Ponta Porã. Estudante de Medicina da Universidade Interamericana e moradora de Dourados, ela era descrita por pessoas próximas como uma jovem dedicada aos estudos, gentil e profundamente humana. Sua morte provocou forte comoção entre familiares e na comunidade acadêmica.
Pouco tempo depois, o CEO da Universidade Interamericana e candidato a deputado federal Carlos Bernardo anunciou que uma das clínicas-escola da universidade passaria a levar o nome de Maria Caroline Azevedo Freitas.
A escolha do espaço para a homenagem carrega um significado especial. É justamente em uma clínica-escola que estudantes dão os primeiros passos no atendimento aos pacientes e começam a transformar conhecimento em acolhimento — o caminho profissional que Carol havia escolhido para si.
“A Carol convivia de perto com a gente, cuidava do meu filho mais novo, então essa perda se tornou a mais difícil para todos nós. Dar o nome dela a uma de nossas clínicas-escola é uma forma de manter viva sua memória e reconhecer tudo o que ela representou para nós”, afirmou.
A história de Carol é particular, e não é possível afirmar que uma estrutura hospitalar diferente teria alterado o desfecho do acidente. Mas sua morte ajuda a humanizar uma discussão que faz parte da rotina da região de fronteira: como ampliar a capacidade de atendimento médico próximo de onde as pessoas vivem, especialmente nos casos de maior complexidade.
Um hospital pensado para a fronteira
É nesse cenário que aparece uma das principais propostas apresentadas pelo candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil): a implantação do Hospital Binacional de Fronteira, em Ponta Porã.
A proposta é de uma unidade construída no lado brasileiro, mas estruturada a partir de cooperação entre Brasil e Paraguai, para ampliar o atendimento hospitalar na faixa de fronteira. O projeto divulgado pela candidatura prevê serviços de maior complexidade e uma gestão pactuada entre os dois países. Bernardo informa que já existe projeto e uma área destinada à implantação, na saída de Ponta Porã em direção a Dourados.

Segundo o candidato, a intenção é criar uma estrutura capaz de reduzir a necessidade de pacientes da região viajarem para centros como Dourados, Campo Grande e Três Lagoas em busca de determinados procedimentos. Ele também defende que o modelo reúna recursos e participação institucional do Brasil e do Paraguai, além da busca de apoio da Itaipu Binacional para a implantação.
Um nome para não ser esquecido
Enquanto a construção de um hospital binacional ainda depende de articulação política, recursos e acordos entre Brasil e Paraguai, a memória de Carol já ganhou um endereço. Seu nome permanecerá em uma clínica onde outros estudantes continuarão o caminho que ela começou: estudar Medicina, atender pessoas e aprender a cuidar.
Hoje as sete clínicas escolas da Universidad Interamericana atendem mais de 40 mil pessoas anualmente, com serviços totalmente gratuitos a brasileiros e paraguaios, além de consultas e exames, os pacientes também têm acesso a medicamentos sem custo algum.
Fonte: Mayara de Sá Chaves