Ponta Porã (MS) – Em um distrito onde a população ainda reivindica uma ambulância para atender às demandas locais, a reta final da campanha eleitoral coloca Sanga Puitã no centro de uma discussão bem maior: a possibilidade de a região receber um Hospital Binacional de Fronteira e se transformar em um novo polo de saúde, serviços e desenvolvimento entre Brasil e Paraguai.
O assunto dominou parte do encontro realizado com moradores e lideranças de Sanga Puitã, com a participação do candidato a deputado federal Carlos Bernardo (4455), do vereador Edinho Quintana e do subprefeito Kleber Ortiz.
Durante o encontro, Carlos afirmou que pretende defender em Brasília a implantação do Hospital Binacional na região de Sanga Puitã e disse que a área destinada ao projeto já foi adquirida. A proposta, segundo ele, vai além da construção de uma unidade hospitalar. A expectativa apresentada pelo candidato é de que um empreendimento possa provocar uma transformação no entorno, atraindo investimentos imobiliários, restaurantes, hotéis, comércio, infraestrutura e novos empregos.

“Se tem um hospital aqui próximo, o que vai acontecer? Vai haver investimento na parte imobiliária, compra e venda de terrenos, asfalto vai chegar porque o progresso vai acontecer. O distrito de Sanga Puitã vai melhorar, a qualidade de vida vai melhorar, o emprego vai aparecer”, afirmou Carlos.
Da ambulância ao atendimento de alta complexidade
A dimensão do desafio da saúde no distrito apareceu na própria fala do subprefeito Kleber Ortiz. Antes de Carlos apresentar o projeto do Hospital Binacional, Kleber voltou a tratar de uma demanda muito mais imediata: uma ambulância para Sanga Puitã.
“Eu fui motorista da ambulância da vez passada. Todo mundo sabe disso. Então já tinha ambulância aqui. Não pode regredir, tem que progredir”, afirmou sobre as dificuldades enfrentadas na região.
A reivindicação não é recente. Em 2021, quando exercia mandato de vereador, Kleber já havia apresentado indicação solicitando uma ambulância exclusiva para Sanga Puitã, argumentando que a falta do veículo dificultava o transporte de pacientes do posto de saúde para o Hospital Regional de Ponta Porã.

Agora, a discussão sobre saúde ganha outra dimensão com a proposta do Hospital Binacional. Carlos argumentou que moradores da fronteira que necessitam de atendimento de alta complexidade enfrentam longos deslocamentos para centros como Dourados e Campo Grande e, em determinadas situações, até Três Lagoas.
“Não é justo um paciente daqui que sofreu um trauma ou um acidente ter que ir para Campo Grande, Três Lagoas ou Dourados, e muitas vezes, não conseguir sequer chegar a tempo de atendimento”, afirmou.
Segundo o candidato, o projeto já foi apresentado a autoridades brasileiras e paraguaias e dependerá de articulação política, institucional e financeira para avançar. A implantação do hospital, portanto, permanece como proposta e depende de decisões e investimentos que envolvem diferentes esferas de governo.
32 anos sem eleger deputado federal
Foi justamente a capacidade de articulação em Brasília que levou o vereador Edinho Quintana a trazer outro dado para o debate: a ausência, há mais de três décadas, de um deputado federal eleito com trajetória política diretamente ligada a Ponta Porã.
O último foi Oscar Goldoni, que foi eleito deputado federal em 1994 e ocupou uma das vagas na Câmara dos Deputados entre 1995 e 1999. “É muito tempo”, resumiu Edinho ao lembrar o período sem representação federal diretamente ligada ao município.
Para o vereador, ter um representante da própria região poderia ampliar a capacidade de interlocução de Ponta Porã com o Governo Federal, ministérios, parlamentares e o Governo do Estado. “Se a cidade tiver um deputado federal daqui, que conhece as pessoas e conhece os problemas, consegue articular com senador, presidente da República e governador”, afirmou.
Edinho relacionou essa representação diretamente ao Hospital Binacional e à realidade peculiar da fronteira. “Não existe só Ponta Porã sem Pedro Juan. Essa fronteira que está aqui é imaginária. A gente está do lado de lá, está do lado de cá”, disse.
Hospital e Rota Bioceânica
Durante o discurso, Carlos também relacionou o projeto do hospital às transformações econômicas esperadas para Mato Grosso do Sul com a consolidação da Rota Bioceânica.

Para ele, a abertura de um novo corredor entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Pacífico exigirá que as cidades da região se preparem não apenas em infraestrutura logística, mas também em educação, qualificação profissional, saúde e atração de investimentos. “Nós ainda não sabemos a dimensão que isso vai ter. Então temos que estar preparados com escolas, infraestrutura e educação. E por que não o Hospital Binacional de Fronteira?”, questionou.
Nesse cenário, Carlos defendeu que o hospital seja pensado não apenas como estrutura assistencial, mas como um equipamento capaz de gerar uma cadeia econômica ao redor da saúde. Além dos empregos diretos ligados ao atendimento médico, enfermagem e demais serviços hospitalares, ele citou oportunidades em hospedagem, alimentação, comércio, imóveis e prestação de serviços.
Educação como preparação para o futuro
O candidato também dedicou parte do discurso à educação e relacionou sua própria trajetória pessoal à defesa de investimentos na formação profissional. Carlos contou ter vivido uma infância de dificuldades financeiras, trabalhado ainda jovem como engraxate, vendedor de sorvetes e em outros serviços antes de ingressar no ensino superior e construir sua trajetória empresarial no setor educacional.
Segundo ele, preparar Mato Grosso do Sul para as oportunidades econômicas que podem surgir com a Rota Bioceânica também passa pela formação de mão de obra local. A defesa é de que a chegada de novos investimentos seja acompanhada pela criação de condições para que moradores da própria região ocupem os empregos e oportunidades gerados pelo novo corredor econômico.
Fonte: Mayara de Sá Chaves