A força econômica da fronteira está exposta em Ponta Porã. Até este domingo (16), a EXPORÃ 2026 transforma o Parque de Exposições Alcindo Pereira em um ponto de encontro entre produtores rurais, empresários, tecnologia, comércio, serviços e milhares de visitantes.
Considerada a maior feira agropecuária da região de fronteira, a EXPORÃ foi aberta oficialmente na quinta-feira (13), com entrada gratuita. Além da exposição agropecuária, a programação reúne feira internacional, implementos agrícolas, veículos, agricultura familiar, artesanato, gastronomia, rodeio e shows nacionais.
Mas, por trás da programação de entretenimento e da movimentação de público, a feira revela algo maior: a dimensão de uma economia que começa no campo, mas não termina dentro da porteira. É justamente nessa conexão entre produção, indústria, serviços, tecnologia e geração de empregos que estão algumas das propostas defendidas por Carlos Bernardo para Mato Grosso do Sul.

Bernardo parte de uma premissa direta: industrializar não é atacar o agro. É fazer o agro valer mais. “A proposta é aproximar a transformação industrial dos locais onde a matéria-prima é produzida, articulando energia, infraestrutura, crédito, pesquisa e formação profissional", explica.
O peso dos dois setores ajuda a dimensionar esse desafio. Dados da Semadesc e no IBGE, mostram que, em 2022, a agropecuária respondia por 22,8% do PIB de Mato Grosso do Sul, enquanto a indústria representava 22,9%. Praticamente um empate técnico.
Para Carlos Bernardo, eventos como a EXPORÃ demonstram que o próximo passo é fazer com que uma parcela cada vez maior da riqueza produzida no campo seja também processada, comercializada e transformada dentro do Estado. “A EXPORÃ mostra a força de quem produz e também o tamanho das oportunidades que existem ao redor do agro. Não podemos pensar somente em quanto Mato Grosso do Sul consegue produzir. Precisamos pensar em quanto dessa produção nós conseguimos transformar aqui, quantos empregos conseguimos criar e quantos negócios podem crescer junto com o produtor. O agro forte precisa puxar uma cadeia inteira de desenvolvimento”, afirma Carlos Bernardo.
Produzir mais e transformar mais
Segundo dados do IBGE, Mato Grosso do Sul respondeu por cerca de 7,4% a 7,6% da produção nacional de grãos nas safras recentes. Para Carlos Bernardo é preciso avançar na criação de polos agroindustriais regionais, respeitando as vocações produtivas de cada parte do Estado.

A lógica é simples: regiões produtoras de leite podem estimular laticínios; áreas de produção de frutas podem ampliar o processamento de alimentos; regiões pecuárias podem atrair frigoríficos, serviços e indústrias relacionadas à cadeia da carne e do couro. O modelo prevê integração entre produção, energia, estradas, crédito, qualificação profissional e estrutura sanitária. Na prática, significa tentar fazer com que mais etapas da cadeia econômica permaneçam próximas de onde a produção acontece.
Essa estratégia também alcança pequenas e médias empresas. O projeto de Carlos prevê o desenvolvimento de cadeias locais de fornecedores para que oficinas, transportadoras, empresas de tecnologia, alimentação, manutenção e prestadores de serviços tenham condições de disputar contratos gerados pelos grandes empreendimentos.
O empresário e produtor rural Robsom Demarco explica que uma feira como a EXPORÃ coloca no mesmo espaço quem produz, quem vende tecnologia, quem presta serviço e quem pode investir. “Para nós, o desenvolvimento não acontece só quando aumenta a produção. Ele acontece também quando temos estrada, tecnologia, assistência, compradores e empresas próximas. Quanto mais completa for essa cadeia aqui na região, maior é a possibilidade de o dinheiro continuar circulando na própria fronteira.”
Universidade, empresas e desenvolvimento no mesmo espaço
A Universidad Interamericana e o Grupo Monarca estão presentes na EXPORÃ 2026. A participação reforça uma das ideias do programa de Carlos Bernardo: aproximar universidades, empresas e poder público para que conhecimento, pesquisa e formação profissional sejam conectados aos problemas e às oportunidades reais da economia.
Para Bernardo, a formação profissional precisa acompanhar as vocações econômicas de cada território. Na fronteira, isso significa preparar pessoas para setores como logística, comércio, turismo, saúde e outros serviços ligados à realidade regional.
“Quando uma universidade participa de um ambiente como a EXPORÃ, ela também precisa olhar para o que está acontecendo ao redor. O produtor tem problemas para resolver, a empresa precisa de profissionais preparados e os jovens precisam enxergar oportunidades de trabalho. Educação e desenvolvimento não podem caminhar em estradas diferentes. Precisamos colocar conhecimento e economia no mesmo projeto de futuro”, afirma.
Uma vitrine do que a fronteira pode produzir
Realizada pelo Sindicato Rural de Ponta Porã, com organização da OPA Organizações e Eventos, a EXPORÃ 2026 segue até domingo. A programação inclui ainda a Copa de Rodeio MD Bulls e shows de US Agroboy, Gian & Giovani, Matheus & Lorenzo e Ícaro & Gilmar.
Com exposição agropecuária, agricultura familiar, equipamentos, negócios, serviços e entretenimento dividindo o mesmo espaço, a feira mostra uma fronteira que está longe de ser apenas um limite geográfico entre dois países. É uma região que produz, compra, vende, estuda, presta serviços e empreende.
Fonte: Mayara de Sá Chaves